ENTREVISTA COM MESTRE DA EQUIPE PH JIUJITSU



Entrevista: Hermes Ciardulli Fernandes quarta-feira, 06 de Outubro 2011

Faixa-preta 6º grau e professor de educação física, Hermes Fernandes teve a sorte de, desde pequeno, treinar com o Mestre Hildebrando Gonçalo da Silva, já que seus pais eram amigos. Hoje, aos 53 anos, Hermes é o líder da filial de Rio das Ostras de Equipe PH, fundada por Alexandre PH, em homenagem ao seu pai. Em entrevista ao jornal.............. o Professor conta um pouco da sua história no esporte, dos momentos difíceis que passou, como quando perdeu as funções dos rins.
“Fiquei na máquina de diálise por quase dois anos... Resisti com a força de um samurai, pois o condicionamento físico de praticante de artes marciais te dá essa condição de resistir mais aos tratamentos médicos”, conta Hermes, comentando também sobre a Copa Mesquita, organizada para acontecer ainda em junho, os planos da equipe para o futuro e muito mais, na entrevista que você confere abaixo.
Quem é o seu mestre?
Fui graduado faixa preta pelo Mestre 8º Grau Hildebrando Gonçalo da Silva, em 1987, e atualmente recebo orientações do meu amigo e irmão, o Professor Alexandre PH, faixa-preta 6º Grau e presidente da Equipe PH.
Como foi o seu primeiro contato com o Jiu-Jitsu?
Na década de 70, meu pai nos levou (tenho 3 irmãos) para conhecer a academia do saudoso Mestre Hildebrando, que era amigo dele, e trabalhavam juntos. Fizemos uma aula experimental sem quimono mesmo, e foi amor à primeira vista. Gostei tanto que não parei até hoje.
Por que você resolveu dedicar sua vida ao esporte?
Foi natural, é como respirar. Você gosta e pronto. Não mede as consequências, começa a fazer, a se dedicar sempre mais, buscando sempre se superar, buscar o mais difícil, e quando vê já está todo envolvido, pois o Jiu-Jitsu é envolvente.
Como a arte suave mudou a sua vida?
Tenho certeza que tudo que fiz na vida e faço ainda, o sucesso foi e é em grande parte por conta da Arte Suave, e por Deus também, que tudo permite, por ter me dado serenidade e tranquilidade nas horas difíceis.  Em um momento difícil da minha vida (1994),tive essa prova: fiquei doente, perdi as funções dos rins, fiquei na máquina de diálise por quase dois anos... Resisti com a força de um samurai, pois o condicionamento físico de praticante de artes marciais te dá essa condição de resistir mais aos tratamentos médicos, e consegui fazer um transplante de rim (1996), doado pelo meu irmão caçula, Marco Ciardulli, e que foi bem sucedido, e consigo levar uma vida saudável até hoje, inclusive participando moderadamente das aulas e treinos com meus alunos dos Projetos Sociais que mantenho no município.

Como você conheceu a Equipe PH?
A Equipe PH sempre fez parte da minha vida dentro do tatame, pois comecei a treinar com o Mestre Hildebrando, que era pai do Professor Alexandre PH, que após a morte do pai, fundou a Equipe PH em sua homenagem, em 1996.  Tive um período de ausência devido aos estudos e à doença, mas, em 2001, depois de me sentir seguro com o transplante, retornei aos treinos na Equipe PH, já sob o comando do Professor Alexandre PH, amigo e irmão do coração. 
Como você se sente sendo responsável por liderar uma das filiais da Equipe PH (de Rio das Ostras)?
Me sinto honrado e orgulhoso por representar a Equipe que leva o nome do meu Mestre, a quem devo tudo o que sei, que dedicou sua vida para ensinar de forma digna a Arte Suave. A responsabilidade é sempre grande, pois conseguimos em pouco tempo colocar o nome da Equipe PH em lugar de destaque no mundo do esporte, chegando sempre entre os cinco melhores colocados em competições de destaque. E precisamos trabalhar sempre com mais afinco, e responsabilidade.  Trabalho basicamente com Projetos Sociais, e só isso já me dá uma grande satisfação, e poder fazer com que os alunos se sintam orgulhos de defender a bandeira PH e conhecer a história do nosso Mestre Hildebrando, é pra mim um motivo de grande orgulho.
Como está o desenvolvimento do esporte na região?
O Jiu-Jitsu na baixada litorânea sempre foi forte, um celeiro de grandes campeões e de grandes Professores.  Cada vez mais estamos aprimorando as formas de ensinar, de organizar eventos, trazendo para a região mais eventos ligados à luta, como seminários, cursos, competições em geral, tudo para mostrar uma boa imagem do Jiu-Jitsu, ensinando de forma profissional e atual a nossa Arte Suave. As academias e centros de treinamentos têm cada vez mais investido no pessoal e maquinário, em cursos de aperfeiçoamento para os profissionais de luta. Temos parcerias com grandes e pequenas empresas, tudo isso só eleva o nível de ensino do Jiu-Jitsu.   A Prefeitura de Rio das Ostras também investe bastante no Jiu-Jitsu, ajudando na organização de eventos ligados ao Jiu-Jitsu, na manutenção de Projetos Sociais e no que for preciso, dentro das possibilidades e dentro do que a lei permite. No último dia 25 de setembro de 2011, foi realizado no CIC 3- Recanto, um curso de aperfeiçoamento e capacitação profissional em competições de Jiu-jitsu. Para o próximo ano de 2012, está previsto uma série de cursos na área de lutas.
O que você considera importante que o professor de arte marcial passe para seus alunos, além das técnicas específicas?
O principal é o espírito de cidadania, a humildade e respeito ao próximo.  Somos formadores de cidadãos de caráter, não podemos ser negligentes em querer ensinar uma coisa e fazer outra.  A postura do Professor é primordial, somos o espelho de nossos alunos. 

De uma arte voltada para defesa pessoal até uma filosofia que muda a vida de muita gente... O que o Jiu-Jitsu representa para você?

O Jiu-Jitsu é como se fosse pra mim uma segunda religião.  Tudo que faço vem da filosofia do Jiu-Jitsu, aliado a educação que recebi dos meus pais. Desde à postura até a forma de agir e interagir com os outros e o meio ambiente. Tento passar isso para os meus filhos, respeitar sempre e cuidar das coisas ao nosso redor.  Enfim, o Jiu-Jitsu representa uma forma de agir e pensar corretamente.
Como você vê o cenário atual das artes marciais no Brasil?
Com o crescimento do MMA, tenho notado que as artes marciais tracionais e seus métodos tradicionais estão perdendo terreno, os alunos querem resultados imediatos, não se preocupam em conhecer a fundo a arte marcial a que se pretende praticar.  Mas é a evolução, cabe a nós professores mantermos firmes o propósito de ensinar corretamente e mostrar a filosofia da arte marcial.  Vejo um futuro promissor, pois temos todas as condições e os melhores lutadores do planeta.
O que ainda falta para que o Jiu-Jitsu e as artes marciais sejam vistas com melhores olhos?
Falta oficializar o Jiu-Jitsu como uma disciplina curricular nas aulas de educação física nas escolas municipais, capacitar professores com cursos de aperfeiçoamento e capacitação técnica em didática de ensino e em primeiros socorros. Maior fiscalização por partes das federações para coibir academias que não trabalham com profissionais devidamente graduados e capacitados para a prática do ensino de artes marciais.  A visão do Jiu-Jitsu perante à mídia e a sociedade já melhorou bastante nesses últimos anos. As pessoas perguntam mais sobre o Jiu-Jitsu, tem mais curiosidades em querer aprender e praticar a arte suave, seja por modismo ou para buscar melhor qualidade de vida.
Quais são os planos da equipe até o final do ano?
De um modo geral, temos o foco voltado para o desenvolvimento do atleta, no crescimento e na projeção no cenário nacional e internacional.  Estamos trabalhando muito na organização de eventos e campeonatos locais e regionais. No dia 25 de junho, tivemos a nossa 3ª Copa Mesquita de Jiu-Jitsu, em Mesquita, e no dia 25 de setembro tivemos a 3ª COPA IGUAÇUANA DE JIU-JITSU, na Baixada fluminense. Faremos  o nosso torneio Interno no di 22 de outubro de 2011, no parque da Cidade, evento em parceria com a Prefeitura Municipal de Rio das Ostras. Ainda pretendemos formar um grupo de competidores para eventos de MMA com os nossos melhores representantes.  Aqui em Rio das Ostras nosso trabalho é voltado para Projetos Sociais (Projeto Amigos do Jiu-Jitsu e Projeto Arte Suave), com a inclusão de alunos da rede pública do município na prática do Jiu-Jitsu e Aikido, com dois núcleos em estabelecimentos da rede de ensino público, mais precisamente da Secretaria de Bem Estar Social, um Projeto com apoio da Secretaria de Esporte e Lazer, e dois núcleos do Projeto Social em Associações de Moradores, Amocanto e Amomar.
Fique à vontade de deixar um recado...
Quero agradecer a Deus por ter me guiado no caminho do bem e poder estar aqui agora, e agradecer à minha esposa Ana Cláudia e meus filhos Pedro e Maria Clara, fontes inesgotáveis de inspiração e amor, pela paciência e dedicação que têm por mim, e aos meus amigos e alunos que estão comigo nessa longa jornada do ensino e prática da Arte Suave.